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Brasil registra crescimento populacional reduzido e aumento do envelhecimento

Pnad 2025 aponta redução na taxa de crescimento, mudanças nos arranjos familiares e avanços na infraestrutura

17/04/2026 às 16:33
Por: Redação

Os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) 2025, apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que o crescimento da população brasileira segue em desaceleração e que o país passa por um processo contínuo de envelhecimento demográfico.

 

Em 2025, a população residente no Brasil atingiu 212,7 milhões de habitantes, número que representa um acréscimo de 0,39% em comparação ao ano de 2024. Desde 2021, a taxa de crescimento anual permanece inferior a 0,60%. Dentro desse contingente, as mulheres correspondem a 51,2%, enquanto os homens somam 48,8%.

 

A análise etária indica retração da participação de pessoas com menos de 40 anos: o grupo apresentou redução de 6,1% entre 2012 e 2025. Contrapondo essa tendência, a presença de indivíduos nas faixas acima dos 40 anos cresceu, sendo que o percentual de pessoas entre 40 e 49 anos passou de 13% para 15%. Na faixa de 50 a 59 anos, houve crescimento de 10% para 11,8%. Entre aqueles com 60 anos ou mais, o índice saltou de 11,3% para 16,6% no período avaliado.

 

A estrutura da pirâmide etária brasileira apresenta modificações expressivas, com redução da base formada por jovens e ampliação do topo, composto por idosos. Entre 2012 e 2025, observa-se queda no número de pessoas de até 39 anos.

 

As desigualdades regionais permanecem evidentes. As regiões Norte e Nordeste apresentam os maiores índices de jovens até 13 anos, com 22,6% e 19,1%, respectivamente. Já Sudeste e Sul lideram no percentual de idosos, pois ambas possuem 18,1% da população composta por pessoas com 60 anos ou mais.

 

Quanto à autodeclaração de cor ou raça, todos os estados registraram diminuição da proporção de pessoas brancas, que representavam 46,4% em 2012 e passaram a 42,6% em 2025. No mesmo intervalo, a parcela da população preta subiu de 7,4% para 10,4%. O Norte se destacou como a região onde houve maior crescimento de pessoas autodeclaradas pretas, de 8,7% para 12,9%. No Sul, observou-se o maior aumento de pessoas pardas (de 16,7% para 22%) e a mais significativa redução de brancos autodeclarados (de 78,8% para 72,3%).

 

Novos arranjos familiares e moradia

O percentual de domicílios ocupados por uma única pessoa atingiu 19,7% em 2025, um aumento em relação aos 12,2% verificados em 2012. Segue predominante o modelo de arranjo nuclear, definido pela presença de pelo menos um casal, mãe com filhos ou pai com filhos, que abrange atualmente 65,6% dos domicílios. No entanto, esse índice recuou frente aos 68,4% registrados em 2012.

 

No perfil daqueles que vivem sozinhos, há diferenças conforme gênero e faixa etária. Entre os homens que moram sozinhos, 56,6% têm idade entre 30 e 59 anos. Já entre as mulheres, a maior concentração está nas idosas, sendo 56,5% delas com idade igual ou superior a 60 anos.

 

Em relação à situação dos imóveis, a proporção de unidades alugadas cresceu para 23,8%, evolução de 5,4 pontos percentuais desde 2016. Em contrapartida, a soma de residências próprias quitadas caiu para 60,2%, com diminuição de 6,6 pontos percentuais no mesmo período. Quanto ao tipo de moradia, as casas ainda representam a maioria, com 82,7%, enquanto os apartamentos correspondem a 17,1% do total.

 

Serviços essenciais e infraestrutura

Os índices de acesso à infraestrutura básica demonstram avanços, mas ainda evidenciam disparidades regionais. O fornecimento de água por meio de rede geral engloba 86,1% dos domicílios brasileiros, sendo 93,1% nas áreas urbanas e 31,7% nas localidades rurais. O Norte possui o menor índice de acesso à rede geral de água, com 60,9%, além de expressiva dependência de poços profundos ou artesianos, que abastecem 22,8% dos domicílios da região. O Sudeste apresenta 92,4% de cobertura por rede geral.

 

Na área de saneamento, 71,4% das residências dispõem de ligação à rede geral ou fossa conectada à rede de esgoto. No Norte, esse índice cai para 30,6%, havendo predominância de alternativas mais precárias, como outras formas de esgotamento (39,3%). O Sudeste registra 90,7% de acesso à rede de esgoto ou fossa ligada à rede.

 

Quanto à coleta de lixo, o serviço direto de limpeza urbana alcança 86,9% dos domicílios do país, um avanço de 4,2 pontos percentuais desde 2016. As regiões Norte e Nordeste apresentam os menores percentuais de coleta direta, ambos com 79,3%, e concentram também os maiores índices de descarte por queima nas próprias propriedades, atingindo 14,5% no Norte e 13% no Nordeste.

 

O acesso à eletricidade aproxima-se da universalização, com 2,7% das residências rurais ainda sem conexão à rede. Nas áreas urbanas, esse índice é de 0,5%. Destaca-se a zona rural da Região Norte, onde 15,1% dos domicílios permanecem sem ligação à rede elétrica.

 

De acordo com a pesquisa, o acesso a bens duráveis nos lares também aumentou em 2025. Geladeiras estavam presentes em 98,4% dos domicílios, enquanto máquinas de lavar atingiram 72,1% dos lares. Em 2016, esses índices eram 98,1% e 63%, respectivamente. A posse de automóveis também avançou, alcançando 49,1% das residências, e as motocicletas estavam presentes em 26,2% dos domicílios.

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