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Irã e Hezbollah atribuem trégua no Líbano à força do Eixo da Resistência

Iranianos e Hezbollah creditam trégua no Líbano à estratégia conjunta contra Israel e EUA

17/04/2026 às 17:49
Por: Redação

O governo do Irã e a organização Hezbollah afirmaram que o recente cessar-fogo no Líbano foi possível devido à união e à capacidade de mobilização dos grupos que compõem o chamado Eixo da Resistência, que se posicionam contrários às políticas de Israel e dos Estados Unidos na região do Oriente Médio.

 

Ao mesmo tempo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem buscado atribuir à atuação da Casa Branca a principal responsabilidade pelo estabelecimento da trégua. No entanto, o governo iraniano já havia colocado como condição para continuar as negociações com os Estados Unidos a implementação do cessar-fogo no território libanês. Com o término dos confrontos, o Irã anunciou a reabertura do Estreito de Ormuz para navegação comercial.

 

De acordo com comunicado oficial do Hezbollah, o grupo realizou um total de 2.184 operações militares ao longo de 45 dias de combate com o exército de Israel, alcançando uma média de 49 ações por dia. Os alvos dessas operações incluíram forças israelenses presentes dentro do Líbano, além de instalações, bases militares e quartéis localizados tanto em solo israelense quanto em territórios palestinos sob ocupação, em pontos situados a até 160 quilômetros da fronteira.

 

“Nossa mão permanecerá no gatilho em antecipação a qualquer violação ou traição pelo inimigo, enfatizando a adesão à opção de confronto e continuar a defender o país, e permanecer no pacto até o último suspiro".


 

O chefe do Parlamento do Irã, Mohammed B. Ghalibaf, que lidera a delegação iraniana nas negociações com os Estados Unidos, declarou que o cessar-fogo é resultado direto da atuação do Hezbollah e da coesão entre os integrantes do Eixo da Resistência.

 

“A Resistência e o Irã são uma só entidade, seja na guerra ou no cessar-fogo. Cabe à América recuar do erro de ‘Israel em primeiro lugar’. O cessar-fogo não foi senão resultado da resistência do Hezbollah e da união do Eixo da Resistência; e lidaremos com este cessar-fogo com cautela, e permaneceremos juntos até a verificação completa da vitória”.


 

Ismail Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, alegou que o resultado obtido foi consequência dos esforços diplomáticos desenvolvidos por Teerã.

 

“Desde o início das negociações com várias partes regionais e internacionais, incluindo as negociações em Islamabad, a República Islâmica do Irã tem consistentemente enfatizado a necessidade imperativa de um cessar-fogo simultâneo em toda a região, inclusive no Líbano”.


 

Repercussão em Israel e postura do governo Netanyahu

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, chegou a declarar que o objetivo militar era ocupar o sul do Líbano até alcançar o Rio Litani, localizado a 30 quilômetros da fronteira. Na véspera do anúncio da trégua, Netanyahu informou que havia ordenado a continuação dos ataques militares para conquistar a cidade de Bent Jbel.

 

O periódico israelense The Times of Israel relatou que membros do gabinete governamental reagiram com surpresa diante da notícia do cessar-fogo. Segundo informações, Netanyahu teria aceitado o acordo a pedido de Donald Trump. Representantes da oposição israelense criticaram o que consideraram uma trégua "imposta" ao país.

 

O portal de notícias Ynet, também de Israel, publicou a declaração de um oficial militar que confirmou a permanência das tropas no território libanês, mesmo após a efetivação do cessar-fogo.

 

Contexto dos conflitos e negociações recentes

A fase atual dos confrontos entre Israel e Líbano foi iniciada em outubro de 2023, quando o Hezbollah passou a realizar ataques ao norte israelense como forma de apoio à população palestina diante dos episódios de violência registrados na Faixa de Gaza.

 

Em novembro de 2024, houve um entendimento para o estabelecimento de um cessar-fogo entre o Hezbollah e o governo de Tel Aviv. No entanto, esse acordo não foi respeitado por Israel, que continuou a realizar incursões militares em território libanês.

 

Com o início das ações militares contra o Irã, em 28 de fevereiro, o Hezbollah retomou os ataques em resposta às violações do cessar-fogo ocorridas nos meses anteriores, além de ter atuado em retaliação ao assassinato do líder supremo do Irã, Ali Khamenei.

 

Em 8 de abril, foi anunciado um cessar-fogo em relação ao conflito envolvendo o Irã, embora o governo israelense tenha mantido operações no Líbano, novamente desconsiderando o acordo firmado, que havia sido mediado pelo Paquistão.

 

O governo iraniano defendia que o Líbano integrasse o processo de cessar-fogo como condição para dar continuidade às negociações com os Estados Unidos. A realização de uma segunda rodada de conversas já estava prevista para os dias seguintes.

 

Histórico das hostilidades entre Israel e Hezbollah

O surgimento do Hezbollah remonta à década de 1980, período no qual a milícia xiita foi criada como reação à invasão e ocupação do território libanês pelas forças de Israel, que buscavam combater grupos palestinos refugiados no país.

 

No ano 2000, o Hezbollah conseguiu expulsar as forças israelenses do Líbano. Com o passar dos anos, a organização se transformou também em partido político, passou a ocupar cadeiras no Parlamento libanês e a participar de governos do país.

 

Além dos conflitos recentes, o Líbano foi alvo de ataques militares israelenses em 2006, 2009 e 2011.

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