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Lula promete reciprocidade após saída de delegado brasileiro dos EUA

Presidente afirma que Brasil pode adotar medida semelhante contra agentes dos EUA após remoção de policial federal brasileiro nos Estados Unidos.

21/04/2026 às 16:58
Por: Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou intenção de adotar medidas recíprocas contra os Estados Unidos após o governo norte-americano solicitar a retirada de um delegado da Polícia Federal brasileira de seu território. O servidor, envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem, foi alvo do pedido durante o governo de Donald Trump. Lula comentou o caso em declaração a jornalistas durante viagem oficial à Alemanha.

 

"Não sei o que aconteceu. Fui informado hoje de manhã. Acho que, se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o deles no Brasil. Não tem conversa", afirmou Lula.


 

O presidente ressaltou que o Brasil busca manter a correção nas relações internacionais, mas destacou que não aceita intervenções consideradas inadequadas por parte de autoridades dos Estados Unidos.

 

O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo norte-americano comunicou na segunda-feira, dia 20, que havia solicitado a saída de um “funcionário brasileiro” do país. Embora o comunicado não tenha apresentado nomes, a mensagem indica que a decisão envolve um delegado da Polícia Federal responsável pela prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.

 

Segundo o órgão norte-americano, o pedido foi motivado pela alegação de que o servidor brasileiro tentou superar mecanismos formais de cooperação jurídica entre os dois países. O anúncio foi feito por meio da rede social X.

 

"Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso."


 

Alexandre Ramagem foi liberado na última quarta-feira, dia 15, após permanecer detido por dois dias na Flórida. O ex-deputado, que ocupou o cargo de diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal no ano anterior a 16 anos de prisão por envolvimento em tentativa de golpe de Estado.

 

Após a sentença do STF, Ramagem perdeu o mandato parlamentar e se transferiu para os Estados Unidos, buscando evitar o cumprimento da pena. Em dezembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes determinou o envio do pedido formal de extradição às autoridades norte-americanas, ação conduzida pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

 

De acordo com a Polícia Federal, a prisão de Ramagem foi resultado da colaboração internacional entre as autoridades policiais do Brasil e dos Estados Unidos. O ex-deputado foi capturado em Orlando e atualmente é considerado foragido da Justiça brasileira após a condenação pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

 

Lula reiterou diante dos jornalistas, durante sua estadia na Alemanha, que o Brasil não aceitará ingerências ou abusos de autoridade por parte de agentes norte-americanos em relação ao país.

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