Sexta, 17 de Abril de 2026
LogoManauara News

Bombardeios de Israel danificam 129 unidades de saúde no Líbano em 45 dias

Em 45 dias de conflito, ofensivas israelenses destruíram hospitais, ambulâncias e residências, deixando milhares de mortos, feridos e deslocados no Líbano.

17/04/2026 às 19:37
Por: Redação

Durante um período de 45 dias de conflito, ataques israelenses resultaram em danos a 129 instalações de saúde em território libanês, além da morte de 100 profissionais do setor e ferimentos em outros 233. Conforme informações do Ministério da Saúde libanês, também foram registrados bombardeios a 116 ambulâncias, forçando o fechamento de seis hospitais.

 

Segundo comunicado do escritório da Organização das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) no Líbano, esses ataques às unidades de saúde e ambulâncias violam de forma grave o direito internacional humanitário e causam sérios obstáculos ao acesso da população aos serviços médicos.

 

Esses incidentes constituem uma grave violação do direito internacional humanitário e comprometem seriamente o acesso da população aos serviços de saúde.

 

Bombardeios de estruturas civis e de saúde são considerados crimes de guerra. Apesar disso, autoridades israelenses afirmaram que os alvos teriam relação com o Hezbollah, alegando que as unidades de saúde estavam sendo utilizadas pelo grupo. Organizações de defesa dos direitos humanos contestam essas alegações. Um alerta para evacuação de dois hospitais em Beirute gerou preocupação na Organização Mundial da Saúde (OMS).

 

De acordo com o Ministério da Saúde do Líbano, os confrontos no período analisado provocaram 2.294 mortes e aproximadamente 7.500 feridos, entre os quais 177 crianças faleceram e 704 ficaram feridas, conforme balanço provisório divulgado na sexta-feira (17).

 

Pelo menos sete profissionais de imprensa foram atacados por forças israelenses nesta fase da guerra no Líbano.

 

O Conselho Nacional de Pesquisa Científica do Líbano (CNRS) estimou que 37.800 imóveis residenciais foram destruídos até o dia 12 de abril, poucos dias antes do início do cessar-fogo. Grande parte dessa destruição ocorreu em áreas periféricas da capital Beirute.

 

O CNRS ressaltou que esse montante corresponde a cerca de 16% do total de danos registrados em fases anteriores do conflito, apontando uma aceleração dos ataques e da destruição em um curto intervalo de tempo.

 

No primeiro dia do cessar-fogo no Irã, houve ainda uma ofensiva israelense de grandes proporções contra o Líbano, com ênfase nos subúrbios densamente povoados e regiões centrais de Beirute. Esse ataque resultou em mais de 300 mortes em cerca de dez minutos de bombardeios.

 

O jornalista e especialista em geopolítica Anwar Assi, que conhece as áreas atingidas em Beirute, afirmou que tais regiões são estritamente civis.

 

Essa área é 100% civil. Mesmo os escritórios do Hezbollah são escritórios civis. Ou seja, pela lei internacional, não podem ser atacados. O subúrbio de Beirute não é uma área militarizada. Não tinha porquê bombardear aquelas áreas.

 

Anwar Assi, cuja família reside no Líbano, contestou as declarações israelenses sobre a existência de foguetes nesses locais, afirmando que a análise dos prédios destruídos indica não haver armamentos. Segundo ele, os ataques teriam como objetivo forçar a saída dos moradores e aumentar a pressão sobre a sociedade libanesa.

 

Isso dá para ver pelos prédios destruídos, que lá não tinha foguete. O único motivo dos ataques foi para forçar o deslocamento dos moradores e criar uma pressão em cima da sociedade libanesa.

 

Dados do Ocha indicam que mais de 1,2 milhão de pessoas tiveram que deixar suas casas devido a ordens de evacuação em massa, atingindo aproximadamente 15% do território libanês.

 

Segundo Assi, a intenção do governo de Tel Aviv seria criar um contingente de deslocados que se voltassem contra o Hezbollah. Contudo, conforme explica, a maior parte da população mantém apoio ao grupo, inclusive entre os críticos, rejeitando a ideia de uma guerra civil.

 

O presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, afirmou novamente que tanto a unidade nacional quanto a paz civil são consideradas inegociáveis, alertando que qualquer ameaça a esses princípios favoreceria os interesses israelenses.

 

Israel sustenta que realiza ataques apenas contra estruturas militares do Hezbollah e acusa o grupo de empregar instalações civis para fins militares. O Hezbollah nega tais acusações de utilização de infraestrutura civil para atividades militares.

 

Em um dos ataques, Israel destruiu a última ponte sobre o Rio Litani, a Ponte de Qasmiyeh, o que deixou a região sul do país isolada e comprometeu a ligação entre as cidades de Tiro e Sidon. Em resposta, as autoridades construíram uma ponte temporária para permitir o retorno dos moradores.

 

Impacto no sul do Líbano e relatos de deslocados

 

O governo israelense, sob liderança do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, afirmou que a operação militar no sul do Líbano tem como objetivo criar uma área desocupada até o Rio Litani, situado cerca de 30 quilômetros da fronteira entre Líbano e Israel.

 

No dia 16, Netanyahu declarou estar tentando assumir o controle da cidade de Bent Jbeil, localidade com 30 mil habitantes.

 

Em março, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, comunicou que não seria permitido o retorno das pessoas que fugiram do sul do Líbano para áreas ao sul do Rio Litani.

 

O deslocamento compulsório de civis, também classificado como crime de guerra, foi intensificado com ataques que destruíram infraestruturas essenciais, inclusive escolas, hospitais e edifícios do governo, dificultando o retorno dos habitantes.

 

Entre os afetados está Hussein Melhem, cidadão libanês naturalizado brasileiro de 45 anos, que residia na cidade de Tiro. Melhem e sua família se mudaram para a região metropolitana de Beirute após o início dos conflitos em 2 de março e ainda não sabem quando poderão retornar.

 

Quero voltar esta semana, mas tem que diminuir a fila um pouco porque está uma luta para voltar ao sul, tem muita gente.

 

Melhem destacou que permanece incerta a duração da trégua e afirmou ser necessário acompanhar as próximas movimentações.

 

Anwar Assi avaliou que as ações de Israel no sul do Líbano caracterizam uma política de expulsão dos residentes e ocupação da região, o que, segundo ele, explica a destruição deliberada de estruturas fundamentais ao apoio e retorno da população civil.

 

O objetivo principal da guerra é a expulsão das pessoas do sul do Líbano. Por isso que eles destruíram escolas, hospitais, prédios do governo e todas as unidades que poderiam dar suporte ao retorno dos civis. Eles destruíram justamente para que essas pessoas que retornassem às suas cidades não encontrassem nenhum tipo de apoio.

© Copyright 2025 - Manauara News - Todos os direitos reservados