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Trump formaliza trégua de dez dias entre Israel e Líbano

Trégua de dez dias foi anunciada por Trump e envolve negociações com Irã e Hezbollah. Israel e Líbano participaram de reunião inédita em Washington.

17/04/2026 às 03:37
Por: Redação

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comunicou nesta quinta-feira, dia 16, que foi firmado um acordo de cessar-fogo entre Israel e Líbano, válido por dez dias, com início previsto para a noite do mesmo dia.

 

O acordo surge após uma exigência do Irã para dar continuidade às conversações com os Estados Unidos, sendo um ponto central para o andamento das negociações entre ambos os países.

 

Ibrahim al-Musawi, parlamentar do Hezbollah, declarou à agência francesa AFP que o grupo cumprirá o novo cessar-fogo caso Israel suspenda seus ataques. O governo de Tel Aviv, por sua vez, não emitiu posicionamento sobre o anúncio.

 

“Acabei de ter excelentes conversas com o altamente respeitado presidente Joseph Aoun, do Líbano, e com o primeiro-ministro Bibi [Benjamin] Netanyahu, de Israel. Esses dois líderes concordaram que, para alcançar a paz entre seus países, iniciarão formalmente um cessar-fogo de 10 dias às 17h [horário de Brasília]”, disse Trump em uma rede social.


 

Trump também afirmou que tanto o governo libanês quanto o israelense desejam a paz e manifestou otimismo quanto à possibilidade de um entendimento duradouro ser alcançado em breve.

 

Embora o governo libanês esteja envolvido no pacto, não possui autoridade sobre o Hezbollah, que atua como organização político-militar e integra o chamado Eixo da Resistência, composto por grupos contrários às políticas dos Estados Unidos e de Israel, como o Irã.

 

Por meio de comunicado, o presidente do Líbano, Joseph Aoun, expressou agradecimento a Trump pelos esforços que permitiram a celebração do cessar-fogo no país. Ele destacou a importância de assegurar uma paz permanente na região e manifestou desejo de que tais esforços sejam mantidos para alcançar uma trégua definitiva o quanto antes.

 

Nawaf Salam, primeiro-ministro do Líbano, utilizou as redes sociais para demonstrar apoio ao anúncio feito por Trump.

 

“Acolho com satisfação o anúncio do cessar-fogo proclamado pelo presidente Trump, que constitui uma reivindicação libanesa central pela qual nos empenhamos desde o primeiro dia da guerra e que foi o nosso objetivo primordial no encontro de Washington na terça-feira”, disse.


 

Representantes das delegações de Tel Aviv e do Líbano estiveram reunidos em Washington nesta semana, marcando o primeiro encontro bilateral desde 1983, ano em que Israel realizou uma invasão ao território libanês.

 

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, não se pronunciou oficialmente sobre a existência do acordo até o momento.

 

De acordo com o jornal israelense The Times of Israel, ministros do governo relataram surpresa ao receberem o comunicado e destacaram que Netanyahu teria acatado o cessar-fogo a pedido de Trump. A oposição israelense a Netanyahu criticou o que classificou como uma trégua "imposta" ao país.

 

Segundo o portal Ynet, também de Israel, um militar informou que, mesmo com a declaração de cessar-fogo, as tropas israelenses permanecerão no território libanês.

 

Conflito e negociações recentes

 

O atual ciclo de enfrentamentos entre Israel e Líbano teve início em outubro de 2023, quando o Hezbollah passou a realizar ataques ao norte de Israel em solidariedade à população palestina diante das ações militares israelenses na Faixa de Gaza.

 

Em novembro de 2024, um acordo de cessar-fogo foi tentado entre o Hezbollah e as autoridades israelenses, mas, segundo relatos, Israel não teria respeitado o acordo e prosseguiu com ofensivas no Líbano.

 

Com o início do conflito com o Irã, em 28 de fevereiro, o Hezbollah voltou a atacar Israel, alegando rompimento do cessar-fogo por parte dos israelenses e em resposta ao assassinato de Ali Khamenei, então líder supremo do Irã.

 

No dia 8 de abril, foi anunciado o cessar-fogo referente à guerra com o Irã, mas ataques israelenses ao território libanês persistiram, em desrespeito a um novo acordo então mediado pelo Paquistão.

 

O Irã vinha condicionando a manutenção das negociações com os Estados Unidos à entrada do Líbano em um novo cessar-fogo. Uma nova rodada de conversações entre os países está prevista para os próximos dias.

 

Origens e histórico do confronto

 

A origem da disputa entre Israel e Hezbollah remonta à década de 1980, período em que a milícia xiita foi fundada em reação à invasão e ocupação israelense do Líbano, com objetivo de perseguir grupos palestinos que buscavam abrigo no país.

 

Em 2000, o Hezbollah obteve êxito ao expulsar as forças israelenses do Líbano. Posteriormente, o grupo passou a integrar o cenário político, conquistando cadeiras no Parlamento e participando do governo libanês.

 

Desde então, o território libanês foi alvo de ataques israelenses nos anos de 2006, 2009 e 2011.

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