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Lula critica postura de Trump e defende respeito à soberania internacional

Presidente do Brasil repudia ameaças de Trump ao Irã, Cuba e Venezuela e pede mais responsabilidade global

17/04/2026 às 01:21
Por: Redação

Durante uma entrevista exclusiva ao jornal espanhol El País, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a manifestar insatisfação com a abordagem dos Estados Unidos, sob liderança de Donald Trump, em relação a países como Irã, Cuba e Venezuela. Para Lula, não cabe à Casa Branca o direito de ameaçar nações cujo posicionamento é divergente do norte-americano.

 

“O Trump não tem o direito de acordar de manhã e achar que pode ameaçar um país. Não tem direito. Ele não foi eleito para isso. O mundo não lhe dá direito disso. A Constituição americana não garante isso. E muito menos a carta da ONU [Nações Unidas]”


 

Lula mencionou recentes declarações de Trump, que ameaçou o Irã com um crime de genocídio caso não aceitasse as condições impostas pelos Estados Unidos para pôr fim ao conflito no Oriente Médio. O presidente brasileiro também abordou as atitudes de Trump diante de Cuba e Venezuela, criticando as ameaças e intervenções direcionadas a esses países.

 

“Nenhum país tem direito de ferir a integridade territorial de outro país. Nenhum país tem o direito de não respeitar a soberania dos outros países”


 

Para Lula, existe uma carência de lideranças no cenário mundial que assumam o compromisso de garantir que o planeta não pertence a uma única nação. O presidente destacou que, mesmo se tratando de países com grande influência internacional, é fundamental que aqueles com mais poder também sejam os que têm mais responsabilidade em promover a paz global.

 

Riscos de escala global e alerta sobre novo conflito

 

Lula avaliou publicamente a possibilidade de um conflito de proporções mundiais, caso persista a política externa de Trump de intervir em outras nações. O presidente brasileiro classificou uma eventual terceira guerra mundial como uma catástrofe que teria impacto dez vezes maior do que a ocorrida durante a Segunda Guerra Mundial.

 

Quando questionado pela publicação espanhola sobre a chance de um confronto global se concretizar, o presidente respondeu que esse cenário pode se tornar realidade caso continue a lógica de líderes acreditando que podem agir militarmente contra qualquer país a qualquer momento.

 

Bloqueio a Cuba e situação do Haiti

 

Lula também comentou o endurecimento das restrições energéticas impostas pelos Estados Unidos contra Cuba, que acontecem em meio a um embargo econômico já mantido há quase setenta anos. Ele afirmou que Cuba possui uma relevância especial para o Brasil e questionou o motivo pelo qual, segundo ele, países críticos ao regime cubano não demonstram a mesma preocupação com o Haiti, que não adota o comunismo.

 

Sobre o Haiti, Lula recordou que o país enfrenta uma crise social e econômica profunda há décadas, com diversas áreas da capital, Porto Príncipe, sob domínio de grupos armados.

 

Lula ressaltou ainda que Cuba precisa de alternativas para superar as dificuldades internas, apontando que o bloqueio impede o acesso do país a alimentos, combustíveis e energia, e questionou como é possível sobreviver nessas condições.

 

Eleição na Venezuela e relação com os Estados Unidos

 

O chefe do Executivo brasileiro abordou a situação da Venezuela, defendendo a realização das eleições agendadas para julho de 2024 e a aceitação dos resultados para que o país volte a ter estabilidade e paz. Lula reiterou que não considera aceitável que os Estados Unidos pretendam administrar questões internas da Venezuela.

 

Tributação sobre produtos brasileiros e negociações bilaterais

 

Durante a entrevista, Lula também mencionou a imposição de tarifas sobre exportações brasileiras para os Estados Unidos, instituídas entre abril e agosto de 2025. Ele relembrou a conversa com Trump durante encontro entre os dois líderes, enfatizando que não buscava alinhamento ideológico, e sim a defesa dos interesses do Brasil e a compreensão dos interesses norte-americanos. Segundo Lula, dois chefes de Estado não precisam obrigatoriamente compartilhar a mesma visão política, mas devem priorizar os interesses nacionais.

 

Após um processo de negociação entre os governos brasileiro e norte-americano em novembro de 2025, foi retirada uma tarifa de 40% sobre diversos itens exportados do Brasil, como café e carne. Já em fevereiro do ano seguinte, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou o tarifário implementado por Trump, atendendo à solicitação de empresas estadunidenses que haviam sido prejudicadas pelas políticas protecionistas.

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