Em São Paulo, uma mostra inédita no Museu da Imagem e do Som (MIS) celebra a carreira e a personalidade marcante de Janis Joplin, reunindo mais de 300 peças originais pertencentes à artista. Entre os itens expostos estão figurinos, acessórios, manuscritos, desenhos, seus famosos óculos, a estola de penas e objetos pessoais que, até então, permaneciam sob posse da família e nunca haviam sido apresentados ao público.
O evento tem início nesta sexta-feira, dia 17, e promete trazer ao público uma experiência sensorial imersiva. A cenografia das dez salas expositivas foi desenvolvida para transportar os visitantes ao universo psicodélico e intenso que marcou a trajetória da cantora. Cada ambiente propõe sentimentos ou conceitos associados à vida e à obra de Janis Joplin, com destaque para uma sala denominada Amor Brasil, dedicada à passagem da artista pelo país durante o Carnaval do Rio de Janeiro em 1970. Nesta sala, é possível conferir fotos, vídeos e até um trecho de carta que a cantora escreveu para a mãe enquanto estava no Brasil.
Segundo Chris Flannery, responsável por trazer o acervo de Janis Joplin à exposição, o projeto foi viabilizado após contato com o administrador do espólio da artista. Flannery havia organizado uma mostra sobre B.B. King no MIS três anos antes e, a partir desse contato, recebeu uma lista de artefatos e imagens pertencentes ao acervo de Janis.
“Esta será a maior exposição de Janis já realizada em qualquer lugar do mundo.”
Além de roupas e acessórios, o público terá acesso a escritos e desenhos feitos por Janis Joplin, revelando facetas menos conhecidas da artista. Chris Flannery afirmou que a exposição traz à tona o lado artístico da cantora, além de sua produção musical, permitindo conhecer outras dimensões de sua criatividade.
Os ingressos para visitar a exposição custam 30 reais (meia-entrada) e 60 reais (inteira). Nas terças-feiras, exceto feriados, a entrada é gratuita para todos os visitantes.
O MIS já prestou tributo a outras cantoras de destaque do rock internacional em edições anteriores, como Rita Lee e Tina Turner, também com exposições dedicadas a suas trajetórias. De acordo com André Sturm, diretor-geral do museu e curador da mostra, a proposta é proporcionar uma experiência sensorial que reflita a intensidade emocional característica de Janis Joplin.
“Quando a gente pensa no final dos anos 60 e começo dos anos 70, na contracultura, no rock, na liberação sexual, a gente pensa em música. A gente pensa em Janis”, comentou Sturm.
O primeiro andar do museu foi totalmente dedicado à exposição, com espaços que buscam representar emoções presentes na vida e na carreira da cantora. As salas foram organizadas a partir de palavras e sentimentos que remetem à trajetória de Janis Joplin, ressaltando a entrega e intensidade da artista em sua música e em sua vida pessoal.
“Quando ela canta, ela se entrega completamente, e ela teve uma vida muito intensa em todos os sentidos. Se o que mais marca a Janis é a emoção, vou fazer uma exposição e dividi-la pelas emoções muito presentes na vida dela.”
A sala Amor Brasil conta com registros visuais e escritos da visita de Janis ao país, incluindo imagens inéditas, vídeos e correspondências trocadas com a mãe durante o carnaval carioca. Segundo André Sturm, a cantora demonstrou grande felicidade durante sua estadia no Brasil, sentimento evidenciado pelo material reunido para a mostra.
Janis Joplin nasceu em Port Arthur, Texas, em 1943. Desde a adolescência, foi impactada por grandes nomes do blues como Leadbelly, Bessie Smith e Big Mama Thornton, o que influenciou profundamente sua decisão de seguir a carreira musical. Durante o ensino médio, envolveu-se com a música folk junto a amigos e praticou pintura. Frequentou brevemente a universidade em Beaumont e Austin, mas se identificou mais com a poesia beat e os mitos do blues do que com os estudos acadêmicos.
Após deixar a faculdade, Janis mudou-se em 1963 para São Francisco, estabelecendo-se no bairro de Haight-Ashbury, conhecido pelo ambiente boêmio e pelo uso de drogas. Lá, travou contato com o guitarrista Jorma Kaukonen, que futuramente integraria a banda Jefferson Airplane. Juntos, gravaram várias músicas acompanhados por Margareta, esposa de Jorma, que utilizava uma máquina de escrever.
Pouco tempo depois, Janis retornou ao Texas para cursar sociologia na Universidade Lamar, mas novamente a Califórnia falou mais alto, e em 1966 ela optou por seguir carreira no cenário musical de São Francisco. Sua voz potente, melancólica e marcante chamou a atenção do grupo Big Brother and the Holding Company, uma das bandas mais conhecidas do rock psicodélico local. Com eles, gravou dois discos emblemáticos: Big Brother and the Holding Company (1967) e Cheap Thrills (1968).
Posteriormente, Janis Joplin deixou o grupo para se dedicar à carreira solo, lançando I Got Dem Ol’ Kozmic Blues Again Mama (1969) e Pearl (1971), este último divulgado após sua morte.
Janis Joplin faleceu em 4 de outubro de 1970, aos 27 anos, em decorrência de uma overdose de heroína, poucos dias após o falecimento de Jimi Hendrix, outro ícone da música mundial.