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BRB cria fundo de 15 bilhões de reais para transferência de ativos do Banco Master

Negociação prevê pagamento à vista de até 4 bilhões de reais e saldo em cotas subordinadas; operação depende de condições previstas em memorando.

21/04/2026 às 20:17
Por: Redação

O Banco de Brasília (BRB), instituição financeira de controle público vinculada ao Governo do Distrito Federal, comunicou a criação de um fundo específico para repassar ativos adquiridos do Banco Master. O anúncio ocorreu por meio de informe dirigido a acionistas, clientes e ao mercado financeiro, divulgado na última segunda-feira, dia 20, após a aprovação da transação pelo Conselho de Administração do BRB.

 

De acordo com a comunicação oficial, o objetivo da operação é viabilizar a comercialização dos ativos recebidos em razão da aquisição de bens do Banco Master. Tais ativos foram incorporados ao BRB após a liquidação da instituição anteriormente administrada por Daniel Vorcaro, atualmente detido sob acusações de fraude e crimes financeiros.

 

Para estruturar o novo fundo de investimentos, foi firmado um memorando de entendimento entre o BRB e a gestora Quadra Capital, estipulando um valor de referência de 15 bilhões de reais. A Quadra Capital atua na gestão de fundos de investimento, com foco em ativos de baixa liquidez, além de ter histórico expressivo nos setores de infraestrutura e logística. A empresa realizou investimentos em concessões de portos nos estados do Espírito Santo e Paraná nos últimos anos.

 

Segundo informações do BRB, a negociação prevê que uma parcela entre 3 bilhões e 4 bilhões de reais seja paga à vista. O montante restante, estimado entre 11 bilhões e 12 bilhões de reais, será correspondente a cotas subordinadas do fundo de investimento estruturado para gerir e monetizar os referidos ativos. O desfecho da transação está condicionado ao cumprimento de todas as exigências previstas no memorando de entendimento assinado pelas partes.

 

Consequências da operação e mudanças na administração

 

Na semana anterior ao anúncio, a Polícia Federal efetuou a prisão de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, durante a quarta fase da Operação Compliance Zero. As investigações apontam que Costa teria descumprido normas de governança institucional, além de potencialmente facilitar negociações sem respaldo formal entre o BRB e o Banco Master. Ainda segundo as apurações, ele é suspeito de ter recebido vantagem indevida estimada em 146,5 milhões de reais, paga por Daniel Vorcaro, com o objetivo de favorecer a tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB — transação esta que foi posteriormente vetada pelo Banco Central.

 

Com a estruturação do novo fundo, o BRB pretende promover o fortalecimento de sua base de capital e de sua liquidez, bem como aprimorar o gerenciamento de sua carteira de ativos. De acordo com a instituição, a iniciativa representa etapa importante no processo de readequação societária, com expectativa de impactos positivos sobre a liquidez, a administração dos ativos e a racionalização do patrimônio da companhia.

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