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Ato em SP condena uso de escola pública para filme anti-Paulo Freire

Produtora Brasil Paralelo, com colaboradores réus em outra investigação, gravou 'Pedagogia do Abandono' em Emei com autorização da prefeitura paulistana.

18/04/2026 às 21:53
Por: Redação

Um ato público reuniu professores, pais de alunos, representantes sindicais e parlamentares neste sábado (18) na capital paulista, em manifestação contra a utilização de uma Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) para a produção de um filme. A obra, intitulada Pedagogia do Abandono, da produtora Brasil Paralelo, é acusada de difamar a educação pública brasileira e o legado do educador Paulo Freire, reconhecido como patrono da Educação no país.

 

A mobilização ocorreu na Praça Roosevelt, localizada em frente à Emei Patrícia Galvão (Pagu), palco das gravações do filme ainda inédito. A Brasil Paralelo é conhecida por produzir conteúdo alinhado à extrema-direita, e parte de seus colaboradores já se tornou réu em outro processo judicial. Este caso envolveu a produção do filme A Investigação Paralela: o Caso Maria da Penha, no qual a Justiça do Ceará acatou uma denúncia do Ministério Público estadual, transformando dois colaboradores da produtora em réus sob suspeita de envolvimento em uma campanha de ódio direcionada a Maria da Penha, figura emblemática na luta contra a violência doméstica.

 

“A gente está aqui para dizer que Paulo Freire está presente. Ele está presente nas nossas escolas, nos nossos pensamentos, nos nossos estudos, e não só na EMEI Patrícia Galvão. Ele está presente na cidade toda, no Brasil a fora e fora do Brasil inclusive”, afirmou Sandra Regina Bouças, diretora da Emei Patrícia Galvão.


 

A diretora Sandra Bouças não concedeu entrevistas à imprensa no evento. Contudo, em uma carta divulgada em suas redes sociais, ela manifestou seu questionamento sobre a produção que utilizou as instalações internas da escola, com autorização da prefeitura de São Paulo. Ela declarou ter identificado o projeto como uma iniciativa para “destruir a educação pública” e a imagem de Paulo Freire, utilizando “identificações muito equivocadas”. Bouças também levantou a indagação sobre se a proposta poderia ser uma tentativa de endossar a ideia de que a terceirização ou privatização da Educação Infantil representaria a solução para oferecer uma educação de qualidade.

 

Conforme a carta da diretora, ela foi informada sobre a identidade da produtora, a Brasil Paralelo, somente na véspera das filmagens. Ela relatou que, “na noite anterior à data marcada para a gravação, fomos surpreendidas por um termo de anuência em nome da Brasil Paralelo". Sandra Bouças descreveu a produtora como a responsável por “vídeos de caráter marcadamente ideológico, em que diversas produções têm por objetivo descaracterizar e objetificar o ensino público pejorativamente”.

 

Denise Carreira, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP) e educadora popular, ressaltou que a produção em questão busca enfraquecer políticas públicas com foco social e racial, além da agenda de gênero.

 

“Precisamos estar atentas contra esse absurdo. E defender a escola democrática, a escola que promova uma educação transformadora baseada no pensamento, na trajetória, na ação de Paulo Freire”, acrescentou Denise Carreira.


 

Eduarda Lins, mãe de uma aluna da escola, elogiou a equipe da Emei e criticou tanto a produtora quanto a administração municipal. “Quando a gente descobre que a nossa prefeitura está disponibilizando um espaço público para uma empresa privada com fins, no mínimo, obscuros, que inclusive está sendo investigada pelo MP, dói no nosso coração”, declarou Lins.

 

Autorização para filmagens

 

A Spcine, órgão responsável, informou que o pedido para as gravações foi recebido e, após a devida análise técnica pela SP Film Commission, que gerencia e encaminha solicitações de filmagem, a autorização foi concedida. O órgão explicou que este é um procedimento padrão, idêntico ao adotado para as outras 253 solicitações recebidas pelo município para essa finalidade até o momento em 2026. A Spcine destacou que, somente no ano anterior, mais de mil gravações foram autorizadas, e que a verificação de aspectos legais, como o uso de imagem e a participação de menores, é de total responsabilidade dos produtores do projeto. A Agência Brasil tentou contato com a produtora Brasil Paralelo, mas não obteve resposta até o momento da publicação desta reportagem.

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