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Internações por síndrome respiratória grave disparam entre bebês de até 2 anos

Vírus sincicial respiratório e influenza A impulsionam hospitalizações; Fiocruz recomenda vacinação de gestantes e grupos prioritários

16/04/2026 às 20:11
Por: Redação

O número de internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em crianças menores de dois anos aumentou nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste do Brasil.

 

Segundo dados do Boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na quinta-feira (16), a elevação dos casos de hospitalização nessa faixa etária está relacionada principalmente ao crescimento das infecções pelo vírus sincicial respiratório (VSR).

 

De acordo com o boletim, referente à Semana Epidemiológica 14 — período de 5 a 11 de abril —, as ocorrências graves decorrentes da covid-19 mantêm tendência de queda em todo o território nacional.

 

A pesquisadora Tatiana Portella, integrante da equipe do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz (Procc/Fiocruz), afirmou que o VSR figura entre os principais agentes causadores de internações por SRAG em crianças pequenas, além de ser uma das principais origens de bronquiolite.

 

A especialista ressaltou ser fundamental que gestantes, a partir da 28ª semana, recebam a vacina contra o vírus para garantir a proteção dos bebês nos primeiros meses de vida.

 

Com a elevação dos quadros graves por influenza A em diversos estados, a pesquisadora frisou ainda a importância de que os grupos prioritários não vacinados busquem, o quanto antes, as unidades de saúde para tomar a dose anual da vacina.

 

Crescimento do VSR e influenza A em diferentes regiões

 

O levantamento nacional indica estabilidade nas tendências de curto e longo prazo dos casos de SRAG no Brasil. No entanto, em 14 estados, a incidência da síndrome permanece em níveis de alerta, risco ou alto risco nas duas semanas anteriores, com sinal de aumento nas últimas seis semanas avaliadas pelo boletim (até a Semana Epidemiológica 14).

 

A lista desses estados inclui Acre, Pará e Tocantins, localizados na região Norte; Maranhão, Piauí, Paraíba, Pernambuco, Sergipe e Bahia, no Nordeste; Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, no Centro-Oeste; além de Minas Gerais e Rio de Janeiro, no Sudeste.

 

O crescimento dos casos de SRAG vinculados ao vírus sincicial respiratório (VSR) foi identificado em todo o Centro-Oeste e Sudeste, além dos estados de Acre, Pará, Tocantins e Roraima, na região Norte, e Maranhão, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia, no Nordeste.

 

O boletim também aponta aumento das ocorrências de influenza A em grande parte do centro-sul do país: Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Esse crescimento também foi observado em algumas unidades do Nordeste, como Paraíba, Alagoas e Sergipe, e do Norte, como Amapá, Acre e Rondônia.

 

Por outro lado, os casos graves de SRAG relacionados à influenza A seguem em declínio no Maranhão, Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Bahia e Pernambuco, no Nordeste, e também no Pará e no Rio de Janeiro.

 

Em boa parte do país, os registros de SRAG associados ao rinovírus sinalizam interrupção do crescimento ou tendência de queda. Ainda assim, o aumento permanece no Pará e Mato Grosso.

 

Entre as capitais, 14 apresentam incidência de SRAG em patamares de alerta, risco ou alto risco, com sinal de elevação na tendência de longo prazo, abrangendo o período das últimas seis semanas até a Semana Epidemiológica 14.

 

As capitais que se encontram nessa situação são: Rio Branco, Belém, Palmas, Cuiabá, Campo Grande, São Luís, Teresina, João Pessoa, Recife, Aracaju, Maceió, Belo Horizonte, Vitória e Rio de Janeiro.

 

Impacto por faixa etária, incidência e mortalidade

 

No intervalo das últimas oito semanas epidemiológicas, tanto a incidência quanto a mortalidade semanais médias permaneceram mais acentuadas nos extremos dos grupos etários analisados.

 

Os casos de SRAG são especialmente elevados entre crianças pequenas, relacionados principalmente ao VSR e ao rinovírus. Já a mortalidade é mais significativa na população idosa, destacando-se os óbitos por influenza A e covid-19.

 

A incidência de SRAG por influenza A afeta especialmente crianças até quatro anos e idosos, enquanto os óbitos seguem impactando, principalmente, pessoas com 65 anos ou mais.

 

Considerando o ano epidemiológico de 2026, foram notificados 37.244 casos de SRAG, dos quais 15.816 (42,5%) tiveram confirmação laboratorial para algum vírus respiratório; 14.723 (39,5%) apresentaram resultado negativo; e pelo menos 3.990 (10,7%) aguardam resultado de exame.

 

Entre todos os casos positivos registrados no ano, a distribuição dos vírus detectados foi a seguinte: 41,1% para rinovírus; 25,5% para influenza A; 17,4% para VSR; 10,2% para Sars-CoV-2 (covid-19); e 1,7% para influenza B.

 

Considerando o recorte das quatro semanas epidemiológicas mais recentes, entre os casos positivos, 33% correspondem a rinovírus; 32,2% a influenza A; 26,3% a VSR; 5,5% a Sars-CoV-2 (covid-19); e 2,4% a influenza B.

 

No mesmo intervalo, entre os óbitos com confirmação laboratorial, os percentuais foram: 40,8% para influenza A; 26,9% para rinovírus; 23,3% para Sars-CoV-2 (covid-19); 5,3% para VSR; e 4,1% para influenza B.

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