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Santa Marta sedia encontro global sobre transição energética e fim dos fósseis

Evento na Colômbia reúne delegações e organizações para debater futuro energético mundial

22/04/2026 às 19:35
Por: Redação

A cidade de Santa Marta, localizada na Colômbia, passa a receber representantes de aproximadamente 60 países, juntamente com governos locais, povos indígenas, comunidades tradicionais, organizações da sociedade civil, cientistas e diplomatas, a partir do dia 24 de abril. O objetivo deste grupo é participar da 1ª Conferência Internacional sobre Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis.

 

O principal propósito do evento é recolher subsídios que possam contribuir para a elaboração do chamado Mapa do Caminho para uma transição energética mundial, que vise à redução progressiva da dependência de combustíveis fósseis em escala global.

 

O encontro, realizado por iniciativa conjunta dos governos da Colômbia e da Holanda, foi concebido como um espaço de discussão aprofundada, com caráter horizontal e democrático, para tratar dos desafios da transição energética. Os organizadores esclareceram que não se trata de um órgão de negociação, tampouco integra processos formais ou iniciativas oficiais de negociação, e não está destinado a substituir a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC).

 

Entre os tópicos discutidos, a programação está dividida em três principais eixos temáticos: a superação da dependência econômica de combustíveis fósseis; a transformação da oferta e da demanda energética; e a promoção de ações de cooperação internacional e diplomacia na área do clima.

 

Está prevista, ainda, a formação de uma coalizão de países que desejam avançar de forma efetiva no processo de transição, promovendo a troca de experiências e o compartilhamento de políticas financeiras, fiscais e regulatórias implementadas em âmbito nacional.

 

A programação inclui não apenas diálogos setoriais, mas também o lançamento de um Painel Científico para a Transição Energética e a realização de uma assembleia popular. A cúpula de líderes, marcada para os dias 28 e 29 de abril, será responsável pelo encerramento da Plenária Geral.

 

Processo brasileiro de construção do Mapa do Caminho

 

Lançado pelo Brasil em novembro de 2025, durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém (PA), o Mapa do Caminho representa uma proposta de estratégia mundial para reduzir a dependência de combustíveis fósseis.

 

Na ocasião, embora o tema não tenha sido incluído no documento final da COP30 por falta de consenso, um total de 80 países apoiou a iniciativa para construção de uma estratégia global nesse sentido.

 

O documento, que deverá ser concluído até novembro, durante a realização da COP31 em Antália, Turquia, está atualmente sob análise da presidência brasileira da COP, que avalia as sugestões enviadas por meio de uma chamada pública internacional encerrada em 10 de abril.

 

Desde o lançamento da proposta, países como Austrália, Canadá, México, Noruega e a União Europeia, que juntos detêm parcela significativa do mercado de combustíveis fósseis, reafirmaram interesse em participar do debate. Por outro lado, Estados Unidos, China e Índia anunciaram que não pretendem integrar a iniciativa.

 

Contribuição das organizações sociais e mobilização regional

 

O Brasil apresenta intensa mobilização de organizações sociais em apoio à proposta, incluindo contribuições de povos indígenas e redes que representam uma ampla variedade de instituições.

 

Para Ricardo Fujii, especialista em Conservação do WWF-Brasil, a presença da delegação brasileira em Santa Marta representa uma oportunidade estratégica para o país contribuir na busca por consensos e na transformação de iniciativas globais em medidas concretas.

 

“Em um momento de instabilidade internacional, a liderança brasileira pode ajudar a articular esforços formais e informais, fortalecendo a cooperação climática e entregando respostas concretas para a sociedade”, diz.

 

Organizações sociais destacaram também a importância da iniciativa da Colômbia, integrante da região amazônica, ao sediar a primeira conferência internacional dedicada à discussão de uma transição energética justa. O evento ocorre em um contexto em que a expansão de atividades de exploração de petróleo na foz do rio Amazonas levanta preocupações.

 

Mariana Andrade, coordenadora de Oceanos do Greenpeace Brasil, avaliou que o simbolismo de realizar na região amazônica a primeira conferência internacional sobre transição energética justa ganha relevância diante das tentativas recentes de explorar petróleo na foz do Amazonas. Para ela, as consequências locais e globais da exploração de petróleo e gás na Amazônia são significativas, já que o bioma é vital para o equilíbrio climático do planeta.

 

"Explorar petróleo e gás na Amazônia terá significativas consequências socioambientais locais e globais, já que o bioma é essencial para manter o equilíbrio climático do mundo. Em Santa Marta, esperamos que os países reforcem a urgência de barrar a expansão da indústria fóssil na Amazônia antes que os danos sejam irreversíveis", conclui.

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