O comando da Polícia Federal, sob a liderança de Andrei Rodrigues, determinou que fossem retiradas as credenciais diplomáticas de um agente de imigração dos Estados Unidos que atuava na sede da instituição, em Brasília.
Rodrigues afirmou que essa decisão foi tomada como resposta à medida do governo dos Estados Unidos, que solicitou que o delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho, também da Polícia Federal, deixasse o território norte-americano.
"Eu retirei, com pesar, as credenciais de um servidor dos EUA pelo princípio da reciprocidade", declarou Andrei Rodrigues durante entrevista ao programa Estúdio i, da GloboNews.
Foi informado ainda que a assessoria da Polícia Federal foi procurada para confirmar oficialmente a decisão e solicitar detalhes sobre a substituição do delegado Marcelo Ivo pela delegada Tatiana Alves Torres, mas até o fechamento do texto não havia resposta.
No início da semana, o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo dos Estados Unidos comunicou a decisão de pedir a saída de um "funcionário brasileiro" do país. Embora o comunicado não mencionasse nomes, o texto do órgão apontou que se tratava de um delegado da Polícia Federal relacionado à prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.
Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), foi preso na Flórida e permaneceu detido por dois dias, sendo liberado posteriormente na quarta-feira, dia 15. Em 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Ramagem a dezesseis anos de reclusão no âmbito de uma ação penal ligada a uma tentativa de golpe.
Em declaração feita durante visita oficial à Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou o episódio, enfatizando a adoção do princípio de reciprocidade diante da expulsão do delegado brasileiro pelos Estados Unidos.
"Acho que, se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o deles no Brasil. Não tem conversa", afirmou Lula.