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Américas enfrentam sarampo por baixa vacinação, alerta Opas

Organização Pan-Americana da Saúde aponta que o desafio principal é alcançar a população não imunizada.

23/04/2026 às 21:32
Por: Redação

O diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Jarbas Barbosa, enfatizou nesta quinta-feira (23) que o principal obstáculo para controlar o ressurgimento do sarampo nas Américas não é a escassez de doses do imunizante, mas sim a dificuldade em alcançar as pessoas que ainda não foram vacinadas.

 

Há uma percepção de baixo risco [da doença], há falta de informação e há obstáculos ao acesso [à vacina], que terminam por contribuir com essa situação. E, quando a cobertura dessa vacina cai, o vírus volta. É simples assim. O sarampo é uma das doenças mais infecciosas conhecida.


Durante uma coletiva de imprensa, Barbosa recordou que a região das Américas foi pioneira mundialmente na eliminação do sarampo em 2016. Contudo, esse feito foi revertido em 2018. Embora o certificado de eliminação tenha sido recuperado em 2024, o status foi novamente perdido no ano seguinte.

 

Os dados da Opas revelam um aumento significativo nos casos: em 2025, foram notificados 14.767 casos confirmados de sarampo em 13 nações do continente, um número 32 vezes maior que o registrado no ano anterior. Já em 2026, até o início de abril, a região contabilizou 15,3 mil casos confirmados, com a maioria concentrada em quatro países: México, Guatemala, Estados Unidos e Canadá.

 

No que diz respeito à mortalidade, 32 óbitos relacionados à doença foram registrados nas Américas em 2025. No primeiro trimestre de 2026, pelo menos 11 mortes foram comunicadas, afetando predominantemente populações mais vulneráveis, que enfrentam maiores desafios no acesso a serviços e atendimento de saúde.

 

Esse retorno do sarampo às Américas significa um atraso e precisamos realmente reverter isso por meio de ação decisiva.


O diretor da Opas alertou que mesmo um único caso de sarampo pode desencadear um surto se a cobertura vacinal não atingir um patamar superior a 95% com as duas doses recomendadas no esquema de imunização.

 

Jarbas Barbosa destacou que, nos últimos 25 anos, a vacinação contra o sarampo foi responsável por prevenir mais de 6 milhões de mortes em todo o continente americano.

 

Ele expressou confiança na capacidade de reversão da situação. “Já eliminamos o sarampo e podemos fazer de novo. Mas isso vai requerer compromisso político sustentável, investimentos em saúde pública e também ações decisivas para reconstruir a confiança nas vacinas e combater a desinformação. Tenho confiança de que poderemos recuperar o status da região como livre do sarampo. Já fizemos isso duas vezes e podemos fazer uma terceira vez”.

 

Situação do sarampo no Brasil

 

Apesar do cenário regional, o Brasil mantém seu status de país livre da circulação endêmica do vírus do sarampo, uma conquista alcançada em 2024.

 

Em 2025, o país registrou um total de 3.952 casos suspeitos da doença. Desses, 3.841 foram descartados, 46 permaneceram sob investigação e 38 foram confirmados. Entre os casos confirmados, dez foram classificados como importados, 25 como relacionados à importação e três tiveram a fonte de infecção desconhecida.

 

Em 2026, até meados de março, foram registrados 232 casos suspeitos no Brasil, com dois casos confirmados: uma criança de seis meses, residente em São Paulo, com histórico de viagem à Bolívia, e uma jovem de 22 anos, moradora do Rio de Janeiro, com a investigação em andamento. Ambas as pessoas não haviam sido vacinadas.

 

Entenda a doença do sarampo

 

O sarampo é uma enfermidade viral infecciosa aguda, caracterizada por ser altamente contagiosa e potencialmente grave. Sua transmissão ocorre principalmente por via aérea, através de gotículas respiratórias liberadas ao tossir, espirrar, falar ou simplesmente respirar. O vírus tem a capacidade de se espalhar rapidamente em locais com grande aglomeração de pessoas.

 

Os sintomas típicos da doença incluem febre, tosse persistente, coriza, perda de apetite e conjuntivite, que se manifesta com olhos vermelhos, lacrimejantes e sensibilidade à luz (fotofobia).

 

Além disso, surgem manchas avermelhadas na pele. As erupções cutâneas geralmente começam no rosto, na região atrás da orelha, e se disseminam pelo corpo. O paciente também pode apresentar dor de garganta. Em alguns casos, a pele pode descamar, lembrando uma queimadura. O sarampo pode levar a complicações sérias, como cegueira, pneumonia e encefalite (inflamação do cérebro).

 

Importância da vacinação

 

A vacinação é a principal e mais eficaz medida de prevenção contra o sarampo. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece o imunizante gratuitamente e ele faz parte do calendário básico de vacinação infantil.

 

A primeira dose da vacina tríplice viral, que também confere proteção contra a caxumba e a rubéola, deve ser administrada quando a criança completa 12 meses de idade. A segunda dose é aplicada aos 15 meses.

 

Recomenda-se que qualquer indivíduo com até 59 anos de idade que não possua comprovante de vacinação ou que não tenha completado o esquema vacinal atualize sua carteira de imunização.

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