Experimentos que demandam irradiação de amostras, originalmente realizados no reator nuclear de pesquisa IEA-R1 do Instituto de Pesquisas Energéticas Nucleares (Ipen), ligado à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), em São Paulo, serão temporariamente enviados para o Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), uma unidade da CNEN localizada em Belo Horizonte, Minas Gerais. A medida foi tomada devido à ausência de uma previsão para a conclusão dos reparos no painel de controle do IEA-R1.
O reator IEA-R1 estava inoperante desde o segundo semestre de 2025, aguardando ajustes e a necessária autorização para retomar suas atividades. Contudo, em 23 de março de 2026, um incidente de incêndio afetou parte da fiação de seu painel de controle. A equipe de prontidão, com o apoio do corpo de bombeiros, conseguiu controlar as chamas rapidamente, e a segurança da instalação não foi comprometida. Atualmente, o Ipen/CNEN está conduzindo investigações para determinar as causas do acidente e trabalha na reposição dos componentes elétricos danificados na sala de controle.
Com o objetivo de evitar prejuízos às atividades de pesquisa de estudantes e cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e de instituições parceiras, a gerência do Centro dos Reatores de Pesquisa do Ipen propôs a adoção de medidas alternativas. Entre elas, destacou-se o acionamento do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), em Belo Horizonte, para assumir as demandas de pesquisas que necessitam da irradiação de amostras. Para tal, o CDTN disponibilizou seu reator IPR-1 para essa finalidade.
O Ipen comunicou que a logística para o envio e retorno do material de pesquisa está sob análise detalhada. O instituto enfatizou que a prioridade é minimizar o impacto sobre os alunos e pesquisadores, garantindo a continuidade do progresso científico.
Está sendo estudada criteriosamente para proporcionar que os avanços das pesquisas sigam e que haja o menor impacto possível aos alunos e pesquisadores.
A instituição informou também que planeja ações contínuas para a modernização do reator IEA-R1, que é atualmente o reator de pesquisa com maior potência em operação no Brasil. Essas iniciativas são consideradas cruciais, especialmente enquanto não for finalizado o Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), cuja construção está em andamento em Iperó, São Paulo, com previsão de conclusão para o ano de 2032. O Ipen, no entanto, não emitiu nenhum posicionamento sobre a produção de radiofármacos, uma operação que também era realizada pela unidade de São Paulo.