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São Paulo inaugura unidades PopRua e IBGE detalha censo inédito sobre população de rua

Unidades de atendimento PopRua são inauguradas em sete bairros e IBGE inicia preparação do primeiro censo específico do país para moradores de rua

01/05/2026 às 10:45
Por: Redação

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, em conjunto com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, promoveu o lançamento de sete pontos de atendimento do projeto Cidadania PopRua na cidade de São Paulo. A cerimônia foi realizada nas dependências do Sesc Santo Amaro, na capital paulista. Paralelamente, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística comunicou oficialmente o desenvolvimento do primeiro levantamento censitário nacional dedicado exclusivamente à população em situação de rua, iniciativa inédita no país para a produção de dados oficiais sobre esse segmento social.

 

Nessa etapa, os espaços do Cidadania PopRua passam a operar em sete bairros distintos da capital: Santo Amaro, Cidade Tiradentes, Santana, Cambuci, Vila Leopoldina, Brás e Sé. Esses locais funcionam como estruturas públicas voltadas à prestação de serviços por equipes multidisciplinares, que envolvem profissionais especializados em direitos humanos. Entre as ações oferecidas estão orientações sobre garantias legais, suporte para higiene pessoal, distribuição de água e guarda de pertences.

 

O objetivo central dos novos centros é atenuar danos sociais e de saúde enfrentados por pessoas em vulnerabilidade, especialmente aqueles expostos ao consumo de substâncias psicoativas. A iniciativa também visa facilitar o acesso desse público às políticas públicas disponíveis. Um dos pilares do programa é o atendimento personalizado para promover o acesso à justiça e fortalecer direitos civis, com atenção especial a grupos em condições de extrema vulnerabilidade.

 

Durante o evento, a secretária-executiva do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Caroline Reis, ressaltou a necessidade de uma abordagem especializada e sensível para a população de rua, enfatizando a importância de respeitar integralmente sua diversidade e direitos.

 

“Queremos receber essas pessoas com afeto, ouvindo seus principais pedidos, encaminhando para rede de apoio e também dando o mínimo de dignidade com um banho, um acolhimento, um corte de cabelo, um lugar para eles guardarem seus pertences, para recebê-los com os seus animais de estimação.”


 

No início da mesma semana do lançamento em São Paulo, dois centros Cidadania PopRua já haviam sido inaugurados em Belém, dois no Distrito Federal e outros dois em Belo Horizonte.

 

Ao todo, estão planejadas 47 unidades do programa, que devem ser distribuídas por 21 estados do Brasil e também pelo Distrito Federal. A implementação dessas estruturas representa a materialização de diretrizes do Plano Ruas Visíveis, que busca transformar propostas em ações concretas de atendimento à população sem moradia.

 

Levantamento inédito do IBGE terá metodologia própria

 

O censo populacional dedicado à população de rua, anunciado pelo IBGE, terá uma metodologia criada especificamente para esse propósito, desenvolvida em diálogo com representantes da sociedade civil. O intuito é reunir informações detalhadas que permitam a formulação de políticas públicas mais ajustadas à realidade dessas pessoas, promovendo integração entre os setores de direitos humanos, justiça e inclusão social.

 

Desde 1972, o Brasil realiza censos demográficos regulares. Já foram aplicados doze recenseamentos nacionais, todos baseados em endereços fixos, o que tradicionalmente deixou de fora aqueles que vivem em situação de rua, conforme explicou o presidente do IBGE, Márcio Pochmann. Ele relatou que, a partir de diálogos com movimentos sociais, estudiosos, prefeituras e diferentes níveis de governo, foi constatada a urgência de incluir essa parcela da população, justamente por sua ausência nos dados oficiais até então.

 

“Justamente por esta realidade é que o IBGE está preparando um censo nacional para dimensionar esse conjunto de brasileiros que não tem sido incluído no censo, pois não tem o endereço fixo. E para isso, nós vamos contar com a participação de uma rede grande de instituições que já operam com essa população”, disse.


 

A fase de testes do novo censo abrangerá as cidades de Salvador, Belo Horizonte, Manaus, Goiânia e Florianópolis, escolhidas por suas particularidades territoriais e socioeconômicas. O planejamento inicial prevê a execução do levantamento em 2028, posterior a um amplo processo de consulta a movimentos sociais, acadêmicos e gestores públicos.

 

“Já estamos acumulando um aprendizado porque não há metodologia internacional para esse tipo de pesquisa. Inclusive, nós fizemos em 2024, uma reunião com o institutos de estatística de vários países para tentar entender se havia algo desenvolvido nesse sentido. Isso significa dizer que a experiência brasileira possivelmente se tornará uma referência internacional.”


 

Pochmann também salientou que o conhecimento acumulado pelo IBGE decorre, em parte, do contato com administrações municipais e estaduais que já realizaram alguns levantamentos regionais sobre a população em situação de rua, reconhecendo, no entanto, que a abordagem nacional exige uma metodologia distinta. As informações atualmente disponíveis costumam estar restritas aos cadastros de beneficiários de programas sociais, enquanto o novo censo pretende ir além, possibilitando a elaboração de estratégias públicas nacionais mais precisas para lidar com esse fenômeno que vem crescendo no país.

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