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Lula defende multilateralismo e cobra fim de guerras em fórum na Espanha

Presidente brasileiro alerta que populações mais vulneráveis arcam com custos de conflitos e cobra ações da ONU e regulação de plataformas digitais.

18/04/2026 às 17:21
Por: Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva proferiu um discurso contundente em Barcelona, na Espanha, neste sábado (18), manifestando-se contra os conflitos globais e em defesa do fortalecimento do multilateralismo. A intervenção ocorreu durante a quarta reunião de alto nível do Fórum para a Defesa da Democracia, evento que integra a agenda europeia do líder brasileiro.

 

Em sua participação, o presidente enfatizou que os impactos devastadores das guerras recaem de forma desproporcional sobre as populações mais empobrecidas do mundo. Lula questionou a lógica de conflitos que penalizam os vulneráveis.

 

"O Trump invade o Irã e aumenta o feijão no Brasil, o milho no México, aumenta a gasolina em outro país. É o pobre que vai pagar pela irresponsabilidade de guerras que ninguém quer?"


O presidente ressaltou que, diante dos inúmeros desafios globais, o cenário mundial não necessita de mais conflitos. Ele citou problemas como a fome, que afeta mais de 760 milhões de pessoas, o analfabetismo de milhões e as milhões de vidas perdidas por falta de vacinas contra a covid-19.

 

Lula destacou que o mundo atravessa o período com o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial e instou a Organização das Nações Unidas (ONU) a tomar ações coordenadas para lidar com a situação.

 

"Precisamos exigir que o secretário-geral da ONU convoque reuniões extraordinárias, mesmo sem pedir aos cinco membros do Conselho de Segurança."


O líder brasileiro criticou abertamente algumas das principais guerras em andamento, mencionando a invasão da Ucrânia pela Rússia, a destruição da Faixa de Gaza por Israel e o conflito dos Estados Unidos contra o Irã, na região do Oriente Médio.

 

Ele argumentou que nenhum chefe de Estado, por mais poderoso que seja seu país, tem o direito de impor regras a outras nações. Lula defendeu que os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU precisam rever suas posturas, pois "não podemos levantar todo dia de manhã, e dormir todo dia a noite, com tuíte de um presidente da República ameaçando o mundo, fazendo guerra. Ou seja, e todos eles tomam decisão sem consultar a ONU, da qual são eles membros e fazem parte do conselho", reiterou.

 

O presidente brasileiro lamentou a passividade internacional diante de tais cenários, enfatizando que a vitalidade da democracia dentro das Nações Unidas depende da participação ativa de todos os países, afirmando que "Fortalecer o multilateralismo depende de nós".

 

Debate sobre plataformas digitais

 

Durante seu discurso, Lula também abordou o impacto das plataformas digitais na desestabilização política de diversas nações. Ele defendeu que a própria ONU assuma a liderança nas discussões para a criação de normas e regras globais compartilhadas entre os países para a regulação desses ambientes.

 

"A verdade, nua e crua, é que a mentira ganhou da verdade. Esse é o dado concreto. Para mentir, você não tem que explicar. Para se justificar, você tem que se explicar."


O presidente cobrou uma atuação mais enérgica da ONU neste tema. Ele afirmou que a entidade "precisa funcionar para garantir, por exemplo, que as plataformas sejam reguladas no mundo inteiro, para todo mundo. Não pode o presidente da República interferir na eleição de um país interferir na eleição de outro, pedir voto para outro. Cadê a soberania eleitoral? Cadê a soberania territorial? Esse é um tema que nós precisamos discutir e nos fazer ouvir. E o cenário que temos que brigar é dentro das Nações Unidas", concluiu Lula.

 

O Fórum Democracia Sempre, lançado em 2024, é uma iniciativa conjunta que reúne os governos de Brasil, Espanha, Colômbia, Chile e Uruguai. O evento em Barcelona foi organizado pelo presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez, e contou com a presença de outros líderes como Yamandú Orsi (Uruguai), Gustavo Petro (Colômbia), Cyril Ramaphosa (África do Sul), Claudia Sheinbaum (México), além do ex-presidente chileno Gabriel Boric.

 

Compromissos na Europa

 

Após cumprir seus compromissos na Espanha, o presidente Lula seguirá viagem para a Alemanha neste domingo (19). No país germânico, ele participará da Hannover Messe, considerada a maior feira de inovação e tecnologia industrial do mundo, que nesta edição presta homenagem ao Brasil. Adicionalmente, Lula terá uma reunião com o chanceler Friedrich Merz.

 

A viagem europeia do presidente será concluída no dia 21, com uma breve visita de Estado a Portugal. Em Lisboa, Lula tem agendados encontros com o primeiro-ministro Luís Montenegro e com o presidente António José Seguro.

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