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Lula condena possível exclusão da África do Sul do G20

Presidente brasileiro orienta líder sul-africano a ir ao G20 mesmo diante de posição dos EUA

20/04/2026 às 18:52
Por: Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se posicionou de forma crítica, nesta segunda-feira, 20, contra a possibilidade do governo dos Estados Unidos vetar a presença da África do Sul no G20, grupo composto pelas maiores economias do mundo juntamente com a União Europeia.

 

Durante entrevista concedida em Hanôver, na Alemanha, após encontro com o chanceler Friedrich Merz, Lula abordou as declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, que afirmou não pretender convidar o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, para a próxima reunião do G20, marcada para novembro em solo norte-americano, país que detém a presidência do fórum neste ano.

 

Segundo Lula, os Estados Unidos não têm autoridade para impedir que um dos países fundadores participe das discussões do grupo. O presidente brasileiro relatou ter orientado Ramaphosa a comparecer ao evento, independentemente da posição norte-americana.

 

"Eu disse ao Ramaphosa [presidente da África do Sul], esta semana, que os Estados Unidos não têm o direito de proibir um membro fundador do G20 de participar do bloco. Eu disse ao Ramaphosa que ele deve comparecer ao G20. Ele não pode deixar de ir porque o Trump disse para ele não ir. Vamos lá ver o que vai acontecer, se vão deixar ele entrar ou não."


 

Desde o ano anterior, Trump vem promovendo acusações sobre suposto "genocídio branco" na África do Sul, relacionadas a uma lei de reforma agrária aprovada no país africano. Além disso, o presidente dos Estados Unidos determinou recentemente a suspensão do apoio financeiro norte-americano à África do Sul.

 

Questionado por jornalistas, Lula reforçou que as alegações de Trump contra o governo sul-africano não são verdadeiras e advertiu que a tentativa de excluir países membros do G20 enfraqueceria a legitimidade do grupo.

 

"Se vai tirar a África do Sul hoje, daqui a pouco vão tirar a Alemanha, depois vão tirar o Brasil. Se a gente não se juntar, dar as mãos, eles vão tirando um por um. Aqui não é o Conselho da Paz [criado e controlado por Donald Trump, presidente dos EUA]."


 

Lula também destacou que, se estivesse no lugar de Ramaphosa, participaria da reunião do G20 não como convidado, mas sim na condição de membro fundador do bloco.

 

Durante a visita oficial à Europa, que já incluiu passagens por Espanha e Alemanha e terá como próximo destino Portugal antes do retorno a Brasília, Lula recordou o papel multilateral do G20. Ele mencionou que participou da criação do foro durante a crise econômica de 2008, que teve origem nos Estados Unidos.

 

O presidente brasileiro salientou que o G20 foi estabelecido para buscar soluções para problemas econômicos globais e afirmou que os 20 países fundadores possuem direito irrestrito de integrar o grupo.

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